imagem
mácula
borrão
o branco silêncio
manchado pelo som do não
reverberando a inelutável cisão
entre o branco e a escuridão

pollock em ação
quimera
paisagem
outro lugar
traz o sonho
à tona
do fundo do mar

por exemplo:
não adianta ter
uma idéia no pensamento
tem que enfrentar
a rigidez do cimento
tem que trazer pro corpo
encorpar
incorporar
plasmar o vento
só pra ouvir seu ruído
que chamam de silêncio
o ruído que toda palavra faz
mesmo quando estamos só lendo
é esse sopro de vento
que muda as nuvens de lugar
e nada fica mas a palavra grita
nada permanece
e a própria palavra perece
e na palavra sempre cabe algo
algo está acontecendo
ela é a porta por onde passa o pensamento
ela é a fonte de todo pensamento
ela é o ruído do silêncio.

outra do panacea:
sem Você eu nada sou
não quero me mostrar
vou correr por fora
e a luz do sol não vai ser mais adição
não vou correr por fora
vou me mostrar
e vou chegar ao fim e voltar
não quero me mostrar
vou correr por fora
e a luz do sol vai ser adição
não vou correr por fora
vou me mostrar
e vou chegar ao fim e voltar
não quero me mostrar
não vou correr por fora
e a luz do sol é só luz e vem do sol
vou correr por fora
vou me mostrar
e vou chegar ao fim
entre o vazio e o tédio de existir
entre o que sou e tenho que ser
meu rosto no espelho liso
me vejo e não sou eu
sem você eu nada sou.
Panacea foi um grupo de experimentação poética e musical que existiu entre os anos de 1998 e 2002. Fizemos apenas um disco demo e algumas músicas podem ser baixadas no link:
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=9523
bruto
abstrair o bruto tonelada em suas costas
o peso do pensamento faz flutuar a pena
o sono ortodoxo sono
ultimato devagar se assenta
e o espaço entre as gotas
do orgulho é aonde moram os insetos invisíveis
é muito mais por perto ver-nos como
sermos de alguma forma pára poder
mostrar o culto da folha que virá a ser verde
o muro que quase cai
o pesar que a tudo força
a força que a tudo vence
o lenço eu quero eu vejo
o que é agora e sempre não
terei total certeza é o medo
de escrever é o medo de escrever
medo é o ar de todo o clausulo
é a bela letra por sobre a rampa minúscula
e o sorriso eufórico diz tudo
o dia foi noite e tudo o que
era agora é mais e mais
se falam de pernas e
pelos belos os multifacetados
são muito além dos banheiros imundos
|
|||
|
|
|||
![]() | |||
|
|||