à maneira de álvaro de campos escrevendo à maneira de alberto caeiro plagiando caetano veloso no final

 

deslumbra-se quem nunca olhou pro céu

e o inverno me faz crer

que nada pode ser crível

o inverno é uma estação do ano

o ano é uma volta da terra

em torno do sol

o sol é uma estrela que tem luz própria

ah! a luz própria do sol

luz, essa metáfora da razão

que fez os ilustrados nos convencerem que as coisas são

não! as coisas não são

o inverno é uma invenção

as estações do ano só existem

porque nós as batizamos de estações

as coisas só existem se inventadas

inventamos tudo, até o nada.

e cada palavra que escrevo

um dia não existiu

e virá a sucumbir

ao tempo que a seus filhos devora

nós, como os deuses olímpicos, somos filhos do tempo (cronos)

e ele nos devorará

de tudo o que vejo nada escapa

sou o "x" do mapa

e o tesouro caiu no olvido do abismo

entre as gentes

e o fruto sempre terá sementes

os olhos-olhares do mundo

me dizem do fundo de dentro de mim

os sete buracos de minha cabeça

e eu no mundo em cena

a tua presença, morena.

 

No show de quarta teremos participações mais que especiais: Rafael Brant, mais conhecido por Lobaum, vai tocar com agente: "Bunita", música que amamos!!! E também vai tocar e cantar com agente o lamento furado.

Pedro Morais vai tocar "A cor disso tudo pra mim" e "Canção de outono", uma música inédita dele que eu me apaixonei desde a primeira vez que ouvi!

A Iara e o mamede vão tocar "Carne Viva" e "Som Ligeiro". "Carne Viva". Carne Viva está no primeiro demo, foi gravada na primeira sessão de gravação que fizemos com o zanzara, e "som ligeiro" é um sambinha do héctor maravilhoso, que nunca foi gravado, existe um gravação incompleta dessa música com a carol Lara cantando, e com o próprio Mamede na percussão.

 

Abaixo o incrível texto de "Bunita" de Rafael Lobaum:

 

Mais que as mãos, ata-me os pés e então mostra-me a cruz sem perspectiva alguma de perdão. Em vez de me ajudar me larga no chão sem sequer se preocupar com a cor do meu sangue ou qualquer rumor de morte em minhas mãos.

Bastaria um sopro ou simples sucção, me devolveria a satisfação de te ser útil pelo menos uma vez ao carregar-te em seu caixão. Se pensasse em versos, se com precisão então me expressasse , com precaução eu te diria quantas vezes pronunciei seu nome sem querer por falta de atenção.

Mais que o som, priva-me o gosto e não pede desculpas (nem sequer do rosto muda a expressão) por caminhar em mim julgando ser chão, nem pensar em dar razão pra mim quando eu disse que certamente a culpa não é só minha.

Por ter feito cinzas de algo tão bom, por me sufocar e eu mesmo assim ainda diria outra vez que quando for do gosto seu vá procurar por mim. Se estiver deitado pode perturbar ou fique à vontade se quiser entrar mas não espere me encontrar com vida, respirando ainda e não repare o cheiro do lugar

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BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, SANTA CRUZ, Homem, de 26 a 35 anos, Arte e cultura, Música, francesco: poeta, guitarrista, professor

 
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