à maneira de álvaro de campos escrevendo à maneira de alberto caeiro plagiando caetano veloso no final
deslumbra-se quem nunca olhou pro céu
e o inverno me faz crer
que nada pode ser crível
o inverno é uma estação do ano
o ano é uma volta da terra
em torno do sol
o sol é uma estrela que tem luz própria
ah! a luz própria do sol
luz, essa metáfora da razão
que fez os ilustrados nos convencerem que as coisas são
não! as coisas não são
o inverno é uma invenção
as estações do ano só existem
porque nós as batizamos de estações
as coisas só existem se inventadas
inventamos tudo, até o nada.
e cada palavra que escrevo
um dia não existiu
e virá a sucumbir
ao tempo que a seus filhos devora
nós, como os deuses olímpicos, somos filhos do tempo (cronos)
e ele nos devorará
de tudo o que vejo nada escapa
sou o "x" do mapa
e o tesouro caiu no olvido do abismo
entre as gentes
e o fruto sempre terá sementes
os olhos-olhares do mundo
me dizem do fundo de dentro de mim
os sete buracos de minha cabeça
e eu no mundo em cena
a tua presença, morena.
Escrito por francesco às 17h43
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|