as letras estão presas nos livros
nos papéis de toda cor
nas placas, anúncios
à espera de um leitor
toda letra quer sair
mas não tem pra onde ir
quando lida é abstraída
e a saída é ser falada
mas na boca não tem letra
só tem sílaba pronunciada
sobra a ponta da caneta
e a letra desenhada
no papel de novo aprisionada
eu quero ver quando a letra
se livrar do livro
e livre em cena for letra
na tela do cinema
no céu da sua boca
você
e tudo o que não percebi em você
quando te vi
suas palavras
e tudo o que eu não ouvi de você
quando disseste
boca celestial
o não-dito
a liga
alida o passo, gesto
tempo que passa
o ido
e o que vejo quando
te vejo
você pra mim
você pra você
você pros outros
eu pra você
os outros em nós
sua boca celestial
saindo estrelas
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