as letras estão presas nos livros
nos papéis de toda cor
nas placas, anúncios
à espera de um leitor

toda letra quer sair
mas não tem pra onde ir
quando lida é abstraída
e a saída é ser falada
mas na boca não tem letra
só tem sílaba pronunciada

sobra a ponta da caneta
e a letra desenhada
no papel de novo aprisionada

eu quero ver quando a letra
se livrar do livro
e livre em cena for letra
na tela do cinema

no céu da sua boca

você
e tudo o que não percebi em você
quando te vi
suas palavras
e tudo o que eu não ouvi de você
quando disseste
boca celestial
o não-dito
a liga
alida o passo, gesto
tempo que passa
o ido
e o que vejo quando
te vejo
você pra mim
você pra você
você pros outros
eu pra você
os outros em nós
sua boca celestial
saindo estrelas

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BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, SANTA CRUZ, Homem, de 26 a 35 anos, Arte e cultura, Música, francesco: poeta, guitarrista, professor

 
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